Um levantamento publicado em 2023 pelo portal Aprenda Nutrição reúne as principais evidências científicas sobre os fatores que desencadeiam a fibromialgia, síndrome que afeta de 2% a 4% da população mundial, sobretudo mulheres entre 30 e 55 anos, segundo o Colégio Americano de Reumatologia (ACR).
Predisposição genética e sensibilização central
O texto destaca que cerca de metade do risco para a doença tem origem genética. Polimorfismos nos genes do transportador de serotonina (5-HTT), da catecol-O-metiltransferase (COMT) e do receptor de dopamina D4 aparecem com maior frequência em famílias com histórico de fibromialgia. Essa vulnerabilidade, somada a gatilhos ambientais, favorece a chamada sensibilização central, fenômeno em que estímulos leves passam a ser percebidos como dolorosos.
Disfunções hormonais e inflamação subclínica
A publicação relata alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com níveis irregulares de cortisol, além de associação com hipotireoidismo subclínico. Mesmo sem sinal de inflamação aguda em exames rotineiros, muitos pacientes apresentam IL-6, TNF-α e proteína C-reativa ultrasensível discretamente elevados.
Hábitos de vida como gatilho
Dormir menos de seis horas por noite pode aumentar a dor em até 70%. Sedentarismo, dieta rica em açúcar e gorduras trans, traumas físicos, infecções virais (Epstein-Barr, citomegalovírus e COVID-19), estresse psicológico contínuo e exposição a solventes ou metais pesados também são listados como fatores de agravamento.
Impacto muscular e déficit energético
Biópsias musculares mostram dano mitocondrial e redução de ATP, o que ajuda a explicar a fadiga severa descrita pelos pacientes. Excesso de radicais livres e baixa atividade de enzimas antioxidantes, como glutationa e superóxido dismutase, contribuem para o quadro.
Estratégias nutricionais citadas
O guia recomenda alimentação com carboidratos de baixo índice glicêmico (quinoa, batata-doce, aveia), proteínas magras e gorduras anti-inflamatórias (azeite extravirgem, abacate, nozes). Entre os nutrientes com evidência de benefício estão:
- Magnésio: 300-500 mg/dia para modular a condução neuronal;
- Vitamina D: níveis abaixo de 30 ng/mL se relacionam a piores escores de dor;
- Complexo B: apoio à síntese de neurotransmissores;
- Zinco e selênio: cofatores antioxidantes;
- Coenzima Q10: melhora da função mitocondrial.
Fitoterápicos como cúrcuma (curcumina 500 mg associada a 5 mg de piperina, duas vezes ao dia), gengibre, resveratrol e ômega-3 (EPA/DHA) mostraram redução de até 30% na intensidade da dor após oito semanas em ensaios clínicos.
Imagem: Internet
Tratamento multidisciplinar
Desde 2016, o ACR orienta que o diagnóstico seja clínico — dor generalizada em quatro das cinco regiões corporais por pelo menos três meses, pontuada pelo Widespread Pain Index e pela Symptom Severity Scale. O manejo costuma envolver reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e nutricionista. Medicamentos como duloxetina, pregabalina e naltrexona em baixa dose podem ser prescritos, mas a publicação ressalta que resultados são mais consistentes quando combinados a exercício aeróbico moderado, sono reparador e intervenções de manejo do estresse, como mindfulness e terapia cognitivo-comportamental.
No campo da atividade física, caminhada, natação ou bicicleta ergométrica por 30 minutos, três vezes por semana, foram associadas a queda de 25% a 30% nos níveis de dor e fadiga, conforme meta-análise Cochrane de 2021 citada no texto.
O material orienta que a introdução de suplementos seja supervisionada para evitar interações com antidepressivos ou anticoagulantes. A avaliação inclui recordatório alimentar, dosagem de vitaminas e minerais e possível teste de intolerâncias, especialmente em pacientes com síndrome do intestino irritável concomitante.
Sem cura definitiva confirmada, a fibromialgia pode atingir longos períodos de remissão quando fatores genéticos, hormonais e de estilo de vida são abordados de forma integrada, conclui o guia.
Com informações de portaldenutricao.com