Falência atinge 4 em cada 10 empresas que deixaram a recuperação judicial no 3º trimestre

O número de companhias que sucumbiram após concluir o processo de recuperação judicial quase quadruplicou no Brasil. Entre julho e setembro de 2024, 44 dos 120 negócios que saíram do regime encerraram as atividades, o equivalente a 37%. No mesmo intervalo do ano anterior, a proporção era de 11%, segundo dados do Monitor RGF.

Taxa de êxito recua para 63%

Com 76 empresas retomando a operação de forma regular, a taxa de sucesso da recuperação judicial caiu para 63% no terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, o total de companhias em reestruturação alcançou 5,2 mil – 20% acima do apurado um ano antes e recorde da série histórica.

Mais pedidos e dívidas maiores

O período registrou 435 novos requerimentos de proteção judicial, envolvendo dívidas que somam R$ 16,8 bilhões. A Região Sul concentrou 19 das 44 falências declaradas, puxada pelos setores de comércio (15) e serviços (14).

Agronegócio lidera em termos proporcionais

O Índice de Recuperação Judicial (IRJ-RGF) da agropecuária atingiu 12,63, indicando mais de 12 empresas com dificuldades a cada mil em atividade. Em números absolutos, o segmento de serviços permanece à frente, com 1,2 mil companhias renegociando débitos, embora o índice proporcional seja menor, de 0,97.

Juros altos e crédito restrito pressionam

Especialistas atribuem a escalada das falências ao custo do dinheiro e à maior seletividade dos bancos. Com a taxa básica acima de 15% ao ano, o serviço da dívida encarece, enquanto linhas de financiamento DIP se tornaram raras mesmo após a reforma da lei de recuperação em 2020.

Fragilidades internas ampliam risco

Para o professor Paulo Henrique Carnaúba, do Insper, muitas empresas entram na recuperação judicial sem corrigir falhas estruturais, apostando apenas em descontos agressivos sobre a dívida. Isso cria planos considerados insustentáveis. O economista Pedro Villas Boas, da StoneX, observa que companhias do agronegócio recorrem cedo demais ao Judiciário, antes de cortar gastos ou vender ativos.

Casos que chamaram atenção

A operadora Oi teve a falência decretada apesar de um empréstimo de US$ 400 milhões obtido em 2023, decisão posteriormente revertida por recurso de credores. Já a Livraria Saraiva, em recuperação desde 2018, pediu autofalência em 2023 diante da mudança no varejo de livros e do impacto da pandemia.

Os dados do Monitor RGF indicam que a falta de um plano robusto aumenta significativamente o risco de quebra definitiva após a saída do regime de recuperação judicial.

Com informações de Finanças KDicas