Estudos destacam efeito da aveia no emagrecimento, no controle glicêmico e na redução do colesterol

A ingestão diária de aveia tem se consolidado como estratégia nutricional para perda de peso, melhora do trânsito intestinal e redução de parâmetros metabólicos, segundo compilação de pesquisas citadas pela nutricionista clínica Kilza. A especialista reúne dados de metanálises e ensaios clínicos que avaliam o impacto do cereal em diferentes sistemas do organismo.

Composição e fibra-chave

A aveia apresenta cerca de 15% de proteínas, 7% de gorduras em sua maioria insaturadas e quase 11% de fibras, metade delas do tipo solúvel. O destaque vai para a beta-glucana, fibra viscosa responsável por retardar a digestão de carboidratos e gorduras e por formar um gel no trato gastrointestinal.

Colesterol em queda em até oito semanas

Metanálises publicadas em Nutrition Reviews e The American Journal of Clinical Nutrition indicam que a ingestão diária de 3 g de beta-glucana — volume encontrado em aproximadamente 40 g de farelo de aveia — pode reduzir as concentrações de LDL (o “mau” colesterol) em até 10% em oito semanas. Uma revisão de 28 ensaios clínicos apontou queda média de 5,9 mg/dL no LDL, com reduções que chegaram a 15% em indivíduos com hipercolesterolemia leve.

Impacto sobre glicemia e saciedade

Estudos de intervenção em pessoas pré-diabéticas registraram diminuição de 25 a 30 mg/dL na glicemia de jejum após 12 semanas de consumo de flocos de aveia. A combinação de aveia com proteínas ou gorduras monoinsaturadas mostrou vantagem adicional na estabilização da glicose. Em outra pesquisa, 97 adultos que ingeriram um shake com o cereal consumiram 25% menos calorias no almoço seguinte, sugerindo modulação do apetite.

Trânsito intestinal e microbiota

A fração solúvel da fibra nutre bactérias benéficas, favorecendo a produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, importante para a mucosa intestinal. Já a porção insolúvel aumenta o volume do bolo fecal e acelera o trânsito. Em estudo publicado em 2019, 64% dos participantes com síndrome do intestino irritável relataram redução de gases e dor abdominal após quatro semanas de consumo diário de 20 g de aveia.

Doses e formas de consumo

Para alcançar o efeito terapêutico descrito nos ensaios, a recomendação apresentada pela nutricionista é ingerir de 30 a 50 g de aveia ao dia — o equivalente a duas colheres de sopa de farelo ou três colheres de flocos grossos. O farelo concentra a maior quantidade de beta-glucana, enquanto flocos finos oferecem preparo mais rápido e farinha de aveia se adapta a pães e bolos.

A composição nutricional relativamente estável permite o consumo cru ou cozido, embora a hidratação de duas horas em água ou leite possa facilitar a digestibilidade. Em pessoas com doença celíaca, o cereal só deve ser consumido quando certificado sem glúten, devido ao risco de contaminação cruzada.

Com informações de Portal de Nutrição