Deficiência de magnésio afeta seis em cada dez brasileiros e eleva riscos para saúde mental, cardíaca e óssea

Quase 60% dos brasileiros não alcançam a ingestão diária de magnésio recomendada, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. O mineral participa de mais de 300 reações enzimáticas e sua carência está associada a ansiedade, depressão, câimbras, hipertensão, arritmia e osteoporose.

Funções vitais do mineral

Nos tecidos, o magnésio atua como cofator na produção de ATP, na contração muscular, na transmissão de impulsos nervosos e na síntese de DNA. Cerca de 60% da reserva corporal está nos ossos, 39% em tecidos moles e menos de 1% circula no sangue, o que dificulta a detecção da deficiência apenas por exames séricos.

Impacto no sistema nervoso

Estudos da Universidade de Vermont apontam redução de 31% nos episódios de enxaqueca após suplementação diária de 400 mg durante três meses. Pesquisas publicadas no Journal of Affective Disorders indicam queda de até 42% nos sintomas de depressão com 248 mg de magnésio elementar por oito semanas.

Efeitos no coração e na pressão arterial

Meta-análise da American Heart Association envolvendo 20 mil pessoas mostrou que cada acréscimo de 100 mg do mineral na dieta diminui em 5% o risco de hipertensão. Em portadores de fibrilação atrial, a reposição ajuda a estabilizar a condução elétrica do coração, reduzindo o uso de antiarrítmicos.

Fontes alimentares

Semente de abóbora (156 mg em 30 g), amêndoas (80 mg em 30 g), espinafre cozido (78 mg em ½ xícara) e feijão-preto (60 mg em ½ xícara) estão entre as principais opções. Chocolate 70% cacau, abacate e banana também contribuem.

Suplementação e absorção

Formas como citrato e bisglicinato apresentam absorção superior a 25%, enquanto o óxido de magnésio fica em torno de 4%. O cloreto de magnésio P.A. alia boa biodisponibilidade a efeito osmótico, útil em casos de constipação.

Dose recomendada e riscos

O Institute of Medicine indica 310-320 mg ao dia para mulheres adultas e 400-420 mg para homens. Gestantes necessitam de 350 mg e atletas de endurance podem alcançar 500 mg, sempre com orientação profissional. Ingestão acima de 1.000 mg pode provocar diarreia, hipotensão e, em indivíduos com insuficiência renal, complicações cardíacas.

Fatores que prejudicam níveis de magnésio

Consumo excessivo de álcool, cafeína, refrigerantes ricos em fosfato, dietas hiperproteicas, além do uso prolongado de diuréticos ou inibidores da bomba de prótons, aumentam a perda ou dificultam a absorção do mineral. Estresse crônico eleva a excreção urinária devido ao aumento do cortisol.

“Pequenas variações na ingestão podem refletir na pressão arterial, no humor e no metabolismo ósseo”, alerta o cardiologista Ricardo Almeida, do Incor.

Sintomas como câimbras frequentes, irritabilidade, insônia, palpitações e formigamento em extremidades podem sinalizar hipomagnesemia e devem ser avaliados por profissional de saúde.

Com informações de Portal de Nutrição