Seis falhas na adaptação à reforma tributária ameaçam caixa de micro e pequenas empresas

Micro e pequenas empresas já sentem o impacto da fase de transição para o novo sistema de impostos sobre o consumo. Especialistas identificam seis equívocos recorrentes que podem comprometer margens e fluxo de caixa enquanto entram em vigor o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e, em alguns casos, o Imposto Seletivo (IS).

1. Precificação desatualizada

Manter tabelas de preço baseadas no modelo anterior ignora variações de carga tributária conforme produto, serviço e local de consumo. A falta de integração entre custos, tributos e canais de venda tende a reduzir a competitividade.

2. Confusão entre gestão financeira e gestão fiscal

Fluxo de caixa e apuração de tributos exigem controles distintos. Equívocos na separação dessas rotinas tornam decisões estratégicas mais arriscadas, principalmente porque dois regimes de recolhimento coexistem durante o período de transição.

3. Tributação no destino sem controle regional

Com a mudança do princípio de origem para destino, o imposto incide onde está o consumidor. Ausência de relatórios por região, canal e tipo de operação impede visibilidade precisa de custos e margens.

4. Aproveitamento incorreto de créditos

A não cumulatividade favorece quem registra corretamente compras e insumos. Falhas na classificação de itens e no cadastro de fornecedores resultam em créditos não aproveitados e maior desembolso tributário.

5. Estoque visto apenas como logística

Na nova lógica, o estoque influencia preço, margem e cálculo do IBS e do IS. Custos imprecisos ou classificação inadequada podem provocar recolhimentos superiores ao necessário e perda de competitividade.

6. Contratos de serviços sem revisão

O fim do ISS significa que a tributação de serviços migra para o IBS. Sem ajustes contratuais, prestadores podem absorver custos que deveriam ser repassados aos clientes, afetando diretamente a rentabilidade.

Para Glaudson Ferreira, da GestãoClick, a antecipação de ajustes operacionais, a integração de dados e a revisão de processos são medidas essenciais para atravessar a transição mantendo a saúde financeira.

Com informações de Finanças KDicas