A gelatina colorida, comum em festas infantis, hospitais e creches, contém até 80% de açúcar na mistura em pó, além de corantes artificiais e adoçantes sintéticos nas versões zero, aponta a nutricionista materno-infantil Andreia Friques. Segundo a profissional, a sobremesa é frequentemente associada a benefícios de colágeno, porém a quantidade presente em uma porção (aproximadamente 1,3 g) é considerada insignificante para atender às necessidades diárias.
Marketing antigo sustenta consumo
Desde o início do século XX, campanhas de fabricantes posicionam a gelatina como alimento leve e fonte de colágeno. Nos anos 1950, hospitais norte-americanos já serviam o produto no pós-operatório devido à textura macia e fácil ingestão. Friques lembra que cardápios hospitalares costumam priorizar custo e praticidade, o que mantém a gelatina mesmo sem comprovado mérito nutricional.
Valores que preocupam
Um pacote de 20 g de gelatina tradicional entrega cerca de 16 g de açúcar. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças de 2 a 18 anos não ultrapassem 25 g de açúcares livres por dia; uma taça pronta pode chegar a 18 g. Já as versões diet trocam o açúcar por adoçantes como sucralose ou aspartame, associados a possíveis alterações na microbiota intestinal.
Corantes e possíveis reações
Corantes como amarelo crepúsculo (E110) e vermelho 40 (E129) são objeto de estudos sobre alergias e comportamento. Pesquisa da Universidade de Southampton, em 2007, relacionou combinação de corantes à maior hiperatividade em crianças de 3 a 9 anos, motivando a exigência de alertas em rótulos na União Europeia. No Brasil, o debate regulatório avança lentamente.
Alternativas sugeridas
Para substituir a sobremesa industrializada, a nutricionista recomenda preparações caseiras à base de:
- agar-agar fervido em suco 100% fruta;
- copinhos de purê de manga com chia;
- gelado de melancia com hortelã;
- picolés de camadas de kiwi, morango e iogurte natural.
Além de dispensarem corantes artificiais, essas opções oferecem fibras, vitaminas e minerais ausentes na gelatina pronta.
Imagem: Internet
Envolvimento da criança
Estudos de comportamento alimentar citados por Friques indicam que a participação da criança no preparo eleva a aceitação do prato em 63%. A recomendação é reduzir gradualmente a oferta de gelatina industrializada e apresentar as versões caseiras em forminhas lúdicas até 15 vezes, ritmo considerado necessário para adaptação a novos sabores.
Friques reforça que proteínas de boa qualidade podem ser obtidas em carnes, leguminosas e lácteos, tornando desnecessário recorrer à gelatina por suposto aporte de colágeno.
Com informações de portaldenutricao.com