Barcelona / Pádua, 18 de julho de 2025 – Um grupo de cosmólogos das universidades de Barcelona, na Espanha, e Pádua, na Itália, apresentou um modelo teórico que contesta a ideia de que o Universo passou por uma expansão superacelerada instantes após o Big Bang, a chamada inflação cósmica.
O que a equipe afirma
Coordenado por Daniele Bertacca, o estudo sustenta que a inflação — fase em que o cosmos teria crescido um trilhão de trilhões de vezes entre 10-36 e 10-32 segundo após a origem — não é necessária para explicar a estrutura observada hoje. Em vez disso, o trabalho parte de um estado inicial bem definido conhecido como espaço de De Sitter, solução das equações da Relatividade Geral que descreve um Universo dominado por constante cosmológica positiva, sem matéria nem radiação.
Como o novo cenário funciona
O modelo elimina o campo escalar hipotético chamado inflaton e recorre apenas a flutuações quânticas inerentes ao próprio espaço-tempo. Segundo os autores, essas ondulações gravitacionais teriam evoluído de maneira não linear, gerando pequenas diferenças de densidade que, bilhões de anos depois, resultaram em galáxias, estrelas e planetas.
Por que descartar a inflação
Para os pesquisadores, os modelos inflacionários dependem de inúmeros parâmetros “livres”, ajustados para combinar teoria e observação. “Há décadas tentamos entender os primórdios do Universo usando elementos jamais observados”, disse o coautor Raúl Jiménez. A proposta, afirmam, reduz o número de suposições e produz previsões passíveis de verificação em medições futuras de ondas gravitacionais e da distribuição de matéria em grande escala.
Próximos testes
A equipe descreve a abordagem como minimalista e potencialmente refutável. Caso observações confirmem as previsões, o modelo poderá substituir a inflação como principal explicação para a uniformidade e planicidade do cosmos, mantidas as evidências atuais de expansão acelerada atribuídas à energia escura.
Com informações de Inovação Tecnológica